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Não causar dano

“Tendo desenvolvido alguma fé e confiança na possibilidade de despertar, somos agora confrontados com uma questão muito pragmática: “O que é que eu faço?” O Buda respondeu a esta questão com uma simplicidade incisiva e desarmante: “Não causes dano, pratica o bem, purifica a tua mente. Este é o ensinamento de todos os Budas.”
(…)
Toda a viagem espiritual repousa na moralidade de não causar dano. Esta é a expressão do amor e cuidado que sentimos pelos outros e por nós mesmos. Sem esta base, a sabedoria não perdura. Especialmente em tempos de mudança de valores como o nosso, a importância da integridade e responsabilidade pessoal precisa de ser rearticulada uma vez e outra, de forma a não nos perdermos na confusão dos nossos desejos. O nosso desafio é dar a esta interrogação sobre os valores morais um sentido mais profundo, dar-lhe vitalidade, e fazê-lo sem nos tornarmos moralistas, preconceituosos e divisionistas.

De um ponto de vista budista, todos os preceitos morais são regras de treino, não mandamentos. Tomámo-los como uma forma de treinar o nosso coração, em atenção por nós mesmos e o mundo, e não como regras expostas externamente. Esta é uma distinção importante, pois permite-nos olhar para as nossas vidas e acções sem culpa e sem uma auto-crítica inibidora e ao mesmo tempo permite-nos assumir conscienciosamente a responsabilidade por aquilo que fazemos.

Todos queremos ser felizes, contudo, muitos não têm a mínima ideia do que leva à felicidade genuína. Ninguém quer sofrer, mas saberemos como abandonar as acções que apenas conduzem ao sofrimento? Diz-se que o que mais comoveu o Buda depois da iluminação foi ver pessoas à procura da felicidade, e contudo a fazerem precisamente tudo o que traz sofrimento. Há uma oração tibetana que diz: “Que tenhas a felicidade e as causas da felicidade. Que estejas livre do sofrimento e das causas do sofrimento”. Se quisermos ser felizes, temos de entender as causas e condições que conduzem à felicidade; temos de alinhar as nossas acções com as nossas aspirações. Esta compreensão é o presente compassivo que o Buda nos legou porque nos recorda a lei do karma, recorda-nos que somos herdeiros das nossas próprias acções.”

Joseph Goldstein, Um Dharma

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