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Archive for Julho, 2009

Um conto de Tolstoi

4002~The-World-of-Kim-Anderson-IV-PostersQuem esteve presente hoje na conferência de Khenpo Tséten no Clube Literário pode reconhecer o tema 🙂

Um conto de Tolstoi contado pelo mestre Zen Thich Nhat Hanh

A um imperador certa vez ocorreu-lhe que nada jamais o afastaria do caminho justo se soubesse responder apenas às seguintes perguntas:

Qual é o melhor momento para qualquer coisa?
Quais são as pessoas mais importantes em qualquer trabalho?
Qual é a coisa mais importante a fazer em qualquer momento?

O imperador promulgou um decreto para todo o seu império a anunciar que quem soubesse responder às três perguntas receberia uma grande recompensa. Depois de terem lido este decreto, muitos se dirigiram ao palácio com as suas diferentes respostas.

Respondendo à primeira pergunta, alguém sugeriu ao imperador que estabelecesse uma ocupação total do tempo, com as horas, dias, meses, anos e as tarefas a realizar. Se seguisse isso à letra, o imperador poderia então vir a fazer cada coisa em seu devido tempo. Uma outra pessoa retorquiu que era impossível prever tudo, que o imperador devia pôr de parte todas as distracções inúteis e que se devia manter atento a todas as coisas de maneira a saber quando e como agir. Uma outra insistiu em que o imperador não podia sozinho possuir a clarividência e a competência necessárias para decidir quando fazer algo. Parecia-lhe que o mais importante era nomear um Conselho de Sábios e de agir de acordo com as suas recomendações. Uma outra pessoa disse que certas questões necessitavam de um decisão imediata e não podiam esperar por uma consulta. Contudo, se o soberano desejasse conhecer com antecedência o que ia acontecer, ser-lhe-ia possível interrogar os adivinhos e os magos.

As respostas à segunda pergunta divergiram também muito entre si. Alguém disse que o imperador devia colocar toda a sua confiança nos seus ministros, um outro recomendou que fosse nos padres e nos monges, outros, ainda, nos médicos e mesmo nos militares.

À terceira pergunta foram dadas respostas igualmente variadas. Alguns afirmaram que a procura mais importante era a ciência, outros insistiram que era a religião e outros ainda que era a arte militar. O imperador não ficou satisfeito com nenhuma das repostas e não atribuiu a ninguém a recompensa.

Depois de várias noites de reflexão, o soberano decidiu visitar um eremita que vivia na montanha e que era tido por um ser iluminado. O imperador desejava encontrar o santo homem para lhe colocar as três perguntas, sabendo muito bem que o eremita nunca deixava as montanhas e que era conhecido por não receber senão pessoas pobres e por recusar qualquer contacto com ricos e poderosos. Por esta razão, o soberano disfarçou-se de camponês pobre e ordenou à sua escolta que esperasse por ele aos pés da montanha enquanto procurava sozinho o eremita.

Ao chegar à morada do homem santo, o imperador avistou-o a cavar o jardim diante da sua cabana. Ao ver o estrangeiro, o eremita saudou-o com a cabeça e continuou a cavar. Era um trabalho aparentemente muito penoso para um velho como ele; ofegava ruidosamente de cada vez que enterrava a enxada no solo para revolver a terra. O imperador aproximou-se dele e disse: “Vim pedir a vossa ajuda. São estas as minhas perguntas:

Qual é o melhor momento para qualquer coisa?
Quais são as pessoas mais importantes em qualquer trabalho?
Qual é a coisa mais importante a fazer em qualquer momento?”

O eremita escutou-o atentamente e, depois de dar uma pequena palmada no ombro do imperador, retomou o trabalho. O monarca disse então:
“Deveis estar cansado. Deixai-me ajudar-vos”.
O velho homem agradeceu-lhe, entregou-lhe a enxada e sentou-se no chão para descansar. Depois de ter cavado duas leiras, o imperador parou, voltou-se para o eremita e repetiu-lhe as suas três perguntas. De novo, o velho homem não lhe respondeu, mas levantou-se e, mostrando a enxada, disse-lhe: “Porque não descansais um pouco? Eu continuo”. Mas o imperador continuou a cavar a terra. Passaram uma e outra hora. Por fim, o sol pôs-se atrás da montanha. O soberano pousou a enxada e disse ao eremita: “Escutai-me, eu vim até aqui para vos perguntar se sabeis responder às minhas três perguntas. Mas se não souberdes, dizei-mo para eu regressar a casa”.

O eremita levantou a cabeça e perguntou ao imperador: “Ouvis alguém a correr na nossa direcção?” O imperador voltou a cabeça e ambos viram surgir do bosque um homem com uma longa barba branca. Corria tropegamente, com as mãos a pressionar uma ferida no ventre, que sangrava. O homem correu em direcção ao soberano até cair sem sentidos no chão. Gemia e, ao abrir a sua camisa, o imperador e o eremita viram que ele tinha uma ferida profunda. O monarca limpou-a totalmente, e a seguir fez-lhe um penso com a sua própria camisa. Visto que o sangue corria abundantemente, teve de enxaguar e enfaixar várias vezes a sua camisa até conseguir estancar o sangue da ferida.

Finalmente, o homem ferido retomou a consciência e pediu água. O imperador correu até ao ribeiro e trouxe consigo uma bilha de água fresca. Ao longo de todo este tempo, o sol pusera-se e instalara-se o frio da noite. O eremita ajudou o imperador a levar o homem para a cabana onde o deitaram sobre a cama. Aí, fechou os olhos e adormeceu sossegadamente. O soberano estava esgotado pela longa jornada que fizera, de caminhar na montanha e de cavar o jardim. Apoiando-se à porta, adormeceu. Por um momento, esqueceu-se onde estava e o que ali tinha vindo fazer. Quando acordou, olhou para a cama e viu o homem ferido, que também se perguntava o que fazia ali naquela cabana. Quando este viu o imperador, olhou-o atentamente nos olhos e disse num murmúrio dificilmente perceptível: “Por favor, perdoai-me”.
“Mas o que fizestes para merecerdes ser perdoado?” perguntou o soberano.
“Vossa Majestade não me conhece, mas eu conheço-vos. Eu fui vosso inimigo e fiz o voto de me vingar por terdes morto o meu irmão na última guerra e por vos terdes apoderado de todos os meus bens. Quando soube que vínheis sozinho a esta montanha para vos encontrardes com o eremita, decidi montar-vos uma cilada e matar-vos. Esperei durante muito tempo, mas vendo que não vínheis, deixei o meu esconderijo para vos procurar. Foi assim que acabei por dar com os soldados da vossa guarda que, ao reconhecerem-me, infligiram-me esta ferida. Felizmente, consegui fugir e correr até aqui. Se não vos tivésseis encontrado, teria com certeza morrido na hora. Eu tinha a intenção de vos matar e vós salvastes-me a vida! Sinto uma enorme vergonha, mas também um reconhecimento infinito. Se viver, faço o voto de vos servir até ao meu derradeiro sopro e ordenarei aos meus filhos e aos meus netos que sigam o meu exemplo. Suplico-vos, Majestade, concedei-me o vosso perdão!”

O imperador encheu-se de alegria ao ver com que facilidade se havia reconciliado com um antigo inimigo. Não apenas o perdoou, mas prometeu também restituir-lhe todos os seus bens e enviar o seu próprio médico e os seus servidores para se ocuparem dele até se curar completamente. Após ter dado ordem à sua escolta de reconduzir o homem a sua casa, o imperador regressou para se encontrar com o eremita. Antes de regressar ao seu palácio, o soberano desejava, por uma última vez, fazer as três perguntas ao velho homem. Encontrou o eremita a semear os grãos nas leiras cavadas na véspera. O velho homem levantou-se e olhou-o. “Mas já tendes a resposta a essas perguntas”.
“Como assim?”, disse o imperador intrigado.
“Ontem, se não tivésseis tido piedade da minha velhice e não me tivésseis ajudado a cavar a terra, teríeis sido atacado por este homem quando regressásseis. Teríeis então lamentado profundamente não terdes ficado comigo. Por consequência, o momento mais importante foi o tempo passado a cavar o jardim, a pessoa mais importante fui eu e a coisa mais importante foi ajudares-me. Mais tarde, depois da chegada do homem ferido, o momento mais importante foi aquele que passastes a tratar da ferida, porque se o não tivésseis feito, ele teria morrido e vós teríeis desperdiçado a ocasião de vos reconciliar com um inimigo. Do mesmo modo, ele foi a pessoa mais importante, e cuidar da ferida foi a tarefa mais importante. Lembrai-vos que não existe senão um único momento importante, que é agora.

Este instante presente é o único momento sobre o qual podemos exercer o nosso magistério. A pessoa mais importante é sempre a pessoa com a qual se está, aquela que está diante de vós, porque quem sabe se vireis a estar ocupado com uma outra no futuro? A tarefa mais importante é fazer feliz a pessoa que está ao vosso lado, porque a procura da vida é apenas isso.”

Tradução de José Eduardo Reis

Stephen Batchelor em Lisboa

stephen2009No ano passado, durante as práticas semanais na União Budista Portuguesa, dedicámos meses a estudar e reflectir sobre a o livro – Budismo Sem Crenças, do autor britânico Stephen Batchelor. Esta obra gerou entre nós muito interesse e instigou um olhar fresco não só sobre o budismo, mas talvez ainda mais importante, sobre a própria vida.

Foi com grande entusiasmo que este ano aceitámos a proposta de organizar a vinda de Stephen Batchelor a Portugal. Apesar do tempo limitado que estará por cá, Stephen disponibilizou-se para várias iniciativas: grupo de estudo, palestra e retiro. Esperamos que tenham todos possibilidade de desfrutar desta oportunidade única.

Todos os eventos serão em inglês sem tradução, mas com apoio de um tradutor quando em situação de diálogo com o orador.

Votos de um verão revitalizante com tempo para respirar.
Sagara e Luís (Centro Buda Dharma) (mais…)

Retiros de Verão

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O Verão é sempre uma oportunidade excelente para relaxar e reconectar…. para um retiro.

Em Portugal estão previstos os seguintes retiros:

Retiro de Verão com Ana e Sagarapriya, de 1 a 9 de Agosto, no Alentejo. Mais informações aqui.

No Norte, Retiro Zen com sensei Amy Hollowell, de 1 a 5 de Agosto. Consulte o blog Wild Flower.

Retiro com Ringu Tulku, no Algarve, de 10 a 16 de Agosto. Ver mais informação no E-Sangha.

Ensinamentos com Khenpo Gyourmé Tsultrim, no Algarve, de 20 a 22 de Agosto sobre o tema “Sabedoria e Compaixão”. Inscrições pelo tlf 213142038. Consultar o site www.okc-net.org.

Retiro Vipassana em Monchique, de 19 a 30 de Agosto. Veja a página Vipassana Portugal.

Já em Setembro, um Retiro de fim-de-semana, com Stephen Batchelor, em Mafra. Para mais informações: stephen@upaya.pt

Conferências de Khenpo Tséten

lopon_temple2smallKhenpo Tséten, mestre de estudos no mosteiro Shechen, no Nepal, dará ensinamentos no Porto e em Lisboa durante o mês de Julho.

No Porto, vai falar sobre o tema “O Treino da Mente“.

Local: Clube Literário do Porto, R. Nova da Alfândega, 22Porto

Data e hora: Segunda-feira, 20 de Julho, às 21h00 – Entrada Livre (a palestra será em inglês, com tradução)

Em Lisboa, vai falar sobre o tema “Prática espiritual e vida quotidiana“.

Local: Centro Ogyen Kunzang Choling (Os Tibetanos)

Rua do Salitre, 117 – Lisboa – tlf 213142038

Data e hora: Quarta-feira, 22 de Julho, às 20h30 – Entrada livre

Khenpo Tséten nasceu em Thimpu (Butão) em 1974. No início dos anos 90 integrou o mosteiro Shechen no Nepal. Em 2000 terminou brilhantemente os seus estudos no Shedra (universidade monástica) do mosteiro. Shétchen Rabjam Rinpotché, abade do mosteiro, confiou-lhe a responsabilidade do Shedra, que assumiu durante três anos. Em 2006, o então Leupon Tséten começou a ensinar na Europa, em especial em Nyima Dzong, mosteiro da Ogyen Kunzang Chöling e em Humkara Dzong, no Algarve. Está de regresso a Portugal depois de ter sido recentemente entronizado Khenpo no mosteiro de Shechen.

Khenpo Tseten novamente no Porto


Khenpo Tséten, mestre de estudos no mosteiro de Shechen, no Nepal, vai estar novamente no Porto durante o mês de Julho. Além da conferência no dia 20, vai participar no próximo Porto de Encontro do dia 15 de Julho (às 20h30 no CLP) . Durante o Porto de Encontro haverá a possibilidade de tomar refúgio, para quem o desejar…

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