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Transmutações

Female Buddhist StatuesPrimeiro de tudo, deves compreender que as nossas mentes não estão separadas da Mente, e, se leste alguns textos Ch’an (Zen), saberás que esta é a única realidade. Conhecida na sua quintessência como a Vacuidade ou o que vocês ingleses chamam Última Realidade, é simultaneamente o reino da forma, a matriz de míriade objectos, como Lao-Tzu o coloca. De maneira alguma devem ser vistos como separados. A Vacuidade e o mundo da forma não são dois! Não existe passagem de um mundo para o outro, só a transmutação do teu modo de percepção.

A Mente é como um oceano ilimitado de luz, ou espaço infinito, do qual brota Bodhi, uma energia maravilhosa, que gera em nós a ânsia pelo Despertar. Mas para despertar, precisas de uma imensa provisão de sabedoria e compaixão. A Sabedoria inclui a percepção completa e directa do não-ego e da não existência de algo como um “ego próprio” em nenhum objecto. A Compaixão é o meio supremo para a destruição do apego a um sentido do ego ilusório.

Boddhisattva of Compassion, The Mystical Tradition of Quan Yin, de John Blofeld

quanyin1Imagina que vais por um passeio cheio de sacos de compras e alguém esbarra contigo, de forma que cais e as compras ficam espalhadas pelo chão. Quando te levantas, estás pronto a disparar: “Que imbecil! Que se passa consigo? Está cego?” Mas antes de recuperar o fôlego para respirar notas que a pessoa que esbarrou contigo é realmente cega. Também está caída no chão com toda mercearia à volta e a tua raiva desvanece-se num instante, para ser substituída por uma preocupação genuína: “Está magoado? Posso ajudar?” A nossa situação é exactamente esta. Quando vemos claramente que a fonte de desarmonia e infelicidade no mundo é a ignorância, podemos abrir a porta da sabedoria e da compaixão. E aí estamos prontos a curar-nos e a curar os outros.
~ B. Alan Wallace, Tibetan Buddhism from the Ground Up

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